Seguro-viagem: como escolher o plano certo sem pagar a mais

Ninguém viaja pensando em ficar doente, perder a mala ou ter o voo cancelado. Mas, quando isso acontece longe de casa, a conta pode ser alta. Uma consulta simples em um pronto-socorro na Europa ou nos Estados Unidos pode custar centenas de euros ou dólares, e uma internação pode passar facilmente das dezenas de milhares.

É para isso que serve o seguro-viagem. O problema é que muita gente contrata o primeiro que aparece, olhando apenas o preço, e só descobre o que não estava coberto na hora em que precisa. Neste guia, você vai entender como escolher um seguro-viagem adequado ao seu destino e ao seu perfil, sem pagar por coberturas inúteis e sem ficar desprotegido no que importa.

O seguro-viagem é obrigatório?

Depende do destino. Alguns países exigem comprovação de seguro para entrada, e outros apenas recomendam. Para os países do Espaço Schengen, a cobertura mínima de 30 mil euros para despesas médicas é exigência para quem precisa de visto. Brasileiros são isentos de visto para estadas curtas, mas a apólice pode ser solicitada pela imigração, e esse valor acabou virando a referência mínima para viagens à Europa.

Mesmo onde não é exigido, o seguro é altamente recomendado. O SUS não cobre atendimento no exterior, e o seu plano de saúde normalmente também não. Antes de viajar, confira as regras do destino no site do consulado ou da embaixada do país e no Portal Consular do Itamaraty.

As coberturas que realmente importam

1. Despesas médicas e hospitalares

É o coração do seguro. Verifique o valor máximo coberto e se ele é compatível com o custo de saúde do destino. Para Europa, use os 30 mil euros como ponto de partida. Para Estados Unidos e Canadá, onde a saúde é muito mais cara, prefira valores bem maiores, a partir de 100 mil dólares.

2. Despesas odontológicas e medicamentos

Uma dor de dente durante a viagem é mais comum do que parece. Confira se o plano cobre atendimento odontológico de urgência e reembolso de remédios receitados.

3. Repatriação e traslado médico

Cobre o transporte de volta ao Brasil em caso de doença grave ou falecimento, e a remoção para um hospital mais adequado. São despesas altíssimas que quase ninguém conseguiria pagar do próprio bolso.

4. Bagagem extraviada

Indeniza a mala perdida definitivamente pela companhia aérea, de forma complementar ao que a própria companhia paga. Alguns planos também cobrem atraso na entrega da bagagem, reembolsando itens de primeira necessidade.

5. Cancelamento e interrupção de viagem

Reembolsa gastos não recuperáveis, como hotéis e passagens, se você precisar cancelar ou encurtar a viagem por motivos previstos na apólice, como doença ou morte de familiar. Leia a lista de motivos com atenção: “desisti de viajar” não costuma estar entre eles.

Situações que exigem atenção especial

  • Doenças preexistentes: muitos planos básicos excluem complicações de condições que você já tinha antes da viagem. Se for o seu caso, procure planos que cubram expressamente doenças preexistentes;
  • Gestantes: há limites de semanas de gestação e coberturas específicas. Converse com seu médico e confira as condições;
  • Esportes e aventura: esqui, mergulho, trilhas em altitude e outras atividades podem estar excluídos ou exigir cobertura adicional;
  • Idosos: alguns planos têm limite de idade ou valores diferentes a partir de certa faixa etária;
  • Viagens longas ou intercâmbio: existem planos próprios para estadas de vários meses.

Seguro do cartão de crédito: vale a pena?

Cartões de categorias mais altas costumam oferecer seguro-viagem gratuito quando a passagem é comprada com eles. Pode ser uma boa economia, mas é preciso conferir alguns pontos antes de confiar só nele:

  • Se o benefício exige que a passagem inteira seja paga com o cartão;
  • Quais são os valores de cobertura médica e se atendem às exigências do destino;
  • Se você precisa emitir um certificado antes de viajar, já que muitas imigrações pedem o documento;
  • Se o atendimento é feito por central com rede credenciada ou apenas por reembolso posterior.

No modelo de reembolso, você paga tudo do próprio bolso e pede o dinheiro de volta depois, o que pode ser inviável em uma internação.

Como comparar e contratar com segurança

  • Compare pelo menos três opções usando os mesmos critérios: valor da cobertura médica, franquias, exclusões e preço;
  • Confira se a seguradora é registrada na SUSEP, o órgão que fiscaliza os seguros no Brasil;
  • Leia as condições gerais, especialmente as exclusões;
  • Verifique se a central de atendimento funciona 24 horas, em português, e por quais canais;
  • Contrate para todos os dias da viagem, incluindo os dias de ida e volta.

O que fazer se precisar usar o seguro

  • Ligue para a central antes de ir ao médico, sempre que possível. Ela indica o local credenciado e autoriza o atendimento;
  • Guarde todos os documentos: relatórios médicos, receitas, notas fiscais e comprovantes de pagamento;
  • Em caso de bagagem extraviada, registre a ocorrência no balcão da companhia ainda no aeroporto e guarde o comprovante;
  • Anote o número de protocolo de cada contato com a seguradora.

Checklist rápido do seguro-viagem

  • Cobertura médica compatível com o destino;
  • Odontologia, medicamentos e repatriação incluídos;
  • Situações especiais (gravidez, esportes, doenças preexistentes) verificadas;
  • Seguradora registrada na SUSEP;
  • Certificado impresso e salvo no celular;
  • Telefone da central anotado fora do celular.

Perguntas frequentes

Com quanta antecedência devo contratar?

Assim que a viagem estiver confirmada. Alguns planos incluem cobertura de cancelamento que só vale se o seguro for contratado com antecedência, e você já fica protegido caso algo aconteça antes do embarque.

Preciso de seguro para viajar pela América do Sul?

Alguns países da região exigem, e mesmo onde não há exigência o seguro continua sendo recomendado. Consulte as regras atualizadas do destino antes da viagem.

O plano mais barato é suficiente?

Pode ser, se as coberturas atenderem ao destino e ao seu perfil. O mais importante não é o preço, e sim saber exatamente o que está e o que não está coberto.

Leia também: Como planejar uma viagem internacional: 15 passos para viajar com tranquilidade.

As regras de entrada e as condições dos seguros mudam com frequência. Confirme sempre as exigências do destino nas fontes oficiais e leia a apólice antes de contratar.

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